Devaneios e Loucuras

Simples verdades mentirosas e ilusões verdadeiras!

Nome: Gustavo (Gummer) Cardoso Rodrigues
Local: Mogi das cruzes, SP, Brazil

Sou um mistério!

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Quisera eu ter-te agora
Enlaçada em meus braços,
Corpo e boca, contornos frívolos
D`uma viceral vontade
De possuir-te ao extremo...

Ao gozo!

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Caixas

Luzes dentro da caixa
Preenchendo-a, tornando o escuro
Claro, e vem-se o quadro
Imagem biológica
De pinturas racionais, dialéticas!

Matéria etérea, energia dura!
Liga-nos por tecidos, teias
E temos a grande caixa
Onde colocamos nosso nome,
Onde percebemos que estamos.

Enxergo percebendo o momento
E o que estou em contato,
Todos os seus indivíduos,
Indivíduos imaginário-concretos,
Uma ligação instantânea,
Real, espacial, sublimemente absurda!

Essa inefável caixa gigantesca
Que é Tudo, até onde podemos imaginar,
Até onde é possível ser
Que nem imaginar podemos.

Terça-feira, Setembro 09, 2008

Passa-se o tempo invisível
Por entre todos os espaços
Que juntos encontram-se
Fazendo meu corpo,
Verdadeiro amontoado de coisas juntas
Que nunca chegam a tocarem-se,
Compõem, simplesmente, o Universo,
A isso que chamamos Existência!

Com Tudo, ainda tem-se o Eu,
Uma pequena partícula que não-existe,
Existindo! Como se fosse normal
O fato de todos os tecidos do Ao-redor
E em Mim, comporem a realidade,
E percebo que é o Outro
Igual/Diferente, semelhante a mim Ser
O que faz nascer a certeza do
Real Existir. E Nós em meio a Tudo,
Dentro de Tudo! Sendo, também, o Todo!

Borbulha, queima, congela, despedaça em mim (!)
Verdadeiro Todo o Universo que Participamos,
Espinhos a incomodar que perfuram e nascem em nós
Com o fato de sabermos que não sabemos de nada depois
Da grande muralha que é nosso limite!
... vem à tona um grande emotivar-se
E carrega-nos a um plano da verdadeira loucura devaneada,
E não calamos mais o eterno cochichar na mente:
Podemos ir além?!










(Devaneabundo ao som novo do MetallicA, principalmente My Apocalypse)

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Filosofando

Ultimamente tenho gostado de escutar o silêncio, e percebo que de quieto ‘ele’ não tem nada: há o som do mundo gritando, esgoelando o barulho do que está ‘acontecendo agora’. – as coisas fazem barulho por quê? - O infernal acontecer do mundo, esse monstro que é a Existência, o grande parmenídico Repouso, onde mora o Infinito, acontece e faz barulho, mas atrás dele esconde-se um incansável silêncio, como se fosse uma pausa e o Existir infinitas semibreves ligadas.
Jogo-me agora a este outro silêncio, o qual poucos se dão a escutar, poucos seres capazes de enfrentar o medo de perder todas as certezas triviais que nos são presenteadas quando ‘começamos a existir’ e com uma fome insaciável de procurar uma resposta, que apenas quem procura sabe; o que disser para os outros, ele sabe, são apenas pistas da interminável jornada em ‘busca de entender o que É’. A porra toda é a Existência!
E também o oposto a ela por excelência, o que extrapola todos os nossos limites de humano: o Nada! E para este sempre haverá a pergunta: e se tudo terminar ‘aqui’? Essa pergunta criará um paradoxo interminável de afirmações contrárias que novamente baterão em nossa cara o limite intransponível do que não podemos ultrapassar, o fato de sermos Humanos.
Este silêncio, o mais avassalador de todos os sons, é que me ocupo e tenho dado ouvidos, sei que caí em um precipício sem fim...

Domingo, Julho 13, 2008

O meu maior medo

Não! Vocês não entenderiam
Mesmo que usasse todo o alfabeto,
Mesmo que falasse em todas as línguas,
Mesmo que desenhasse ou usasse qualquer linguagem,
Não entenderiam o medo que tenho da morte!
A questão não é deixar de viver por causa deste medo,
Pelo contrário, ele faz-me lembrar de viver mais, intensamente,
Não como muitos que, por causa dele, deixam a vida
E começam a viver voltados pro depois, uma vida com “sentido”.
Não sei do depois! Não há sentido! E ninguém pode dizê-los a mim!
É isso que temo: o estar aqui e depois
Simplesmente não estar mais!
Percebam! Percebam!... Sintam!!!
Estou aqui e vou para o incerto, o grande Desconhecido
E talvez quando chegar lá, não saiba, “porque deixo de Existir”...
Deixar de Existir... afinal, o que é isso, a Existência?!



(As religiões e doutrinas só existem para tentar sanar essa nâusea do humano, a nâusea da morte, a nâusea do sem sentido algum. Isso é apenas para refletir.)

Quarta-feira, Julho 09, 2008

Penso que o primeiro “teste” natural para se tornar um Homem seja vencer o medo da morte.
Utilizando um exemplo histórico: várias tribos indígenas faziam um teste de coragem, se o jovem passasse quer dizer que havia alcançado a maioridade.
Mas que “tipo” de homem é esse? Pressinto uma voz me cochichar, suave e melodiosa como um violino: um homem do conhecimento!
Que Homem é esse?
...
Vejo-me cercado de tudo isso como se estivesse sido escolhido por “uma força invisível” da natureza a ser o que Sou!
Destino?! – Acaso?! – Deus?! – Natureza?!
Chego ao pé de uma montanha, tudo escuro, já não sei nem se vejo;
Mas enxergo uma faísca fumegante de vontade-(curiosidade), um querer saber delirante... e percebo que na verdade a montanha é um precipício sem fim.
Algo empurra-me para um não-sei-o-quê, um não-sei-onde: Neste momento você experimenta a a-direcionalidade de Tudo!
Em palavras simples, talvez porém “chocantes”: o Nada.
... sim; claro. Estou ouvindo bem – digo a um estranho fantasma/(eu mesmo) –
Quer dizer, niilista?... ora, por favor!
Tudo gira mais uma vez e me desencontro – perco eu-mesmo
(Antes desse momento eu-mesmo podia significar meu-corpo e o que dele provém.
... não, não! Entendam bem: o que chamamos de razão também vem dele!
O que encontro é um nada de mim mesmo,
Uma centelha em meio a um Desconhecido!, Indivisível!, Irracional!)
E tudo isso é o momento sublime para alguns, como eu, que querem penetrar o Im-penetrável.
O Limite... a Morte!

Terça-feira, Junho 03, 2008

E pensam vocês que estou “morto”?
Não! Ando vagante, vivente
Até, talvez, “mais vivo”!
Não me importa se sou lido ou não,
Não entendem metade do que falo!
Não faço poesia florida,
Uma que todos querem,
Mas uma feia mesmo,
Aquela sem rima, com um nexo
Escondido. Como o tempo na música,
Que sempre está lá, mas não se escuta,
Se sente...
Rimo sentimentos e pensamentos,
As vivências internas e externas,
O que me ocorre, fora, e dentro,
No fundo, sem saber por quê.
Mas há o ímpeto de fazer,
Sem saber, e isso talvez a torne mágica,
Ao menos para mim, e faço
Simplesmente!
Tampouco sou engraçado, ou comediante;
A minha sátira é para a vida,
Para a Nossa vida, a de Humano,
A da eterna besta que pensa saber algo,
Esquecendo-se de viver.
Sim, eu canto a vida, a Existência,
Toda a intrucada briga das vontades,
Paixões, mentiras, pensamentos,
Que ocorrem dentro/fora de Nós.
Vislumbre-se, vislumbre-se!
Sou apenas uma luz cega
Que atingiu o amor do sofrimento,
E toda sua repugnância,
No sentido do cavalheiro solitário,
Sacando...
Emotivamente sendo.

Segunda-feira, Março 10, 2008

Vida

Vê, o voar dos pássaros
Olhando, de cima, nós,
Rindo, zombando do modo
Como levamos nossa existência.

Vê, quanta bobagem tomamos por certo;
Preocupação de “ser alguém” na vida,
O ter como objetivo selvagem
De uma civilização de morte.

Vê, se mate para entrar
E aceito ser por todos
Aqueles que pensam possuir
A verdade. Vá para vencer!

Vê, que a guerra não é sua!
Que eles te fizeram comer a idéia
Para a manutenção desse mundo
Do vício d´um progresso, inexistente!

Vê, agora, novamente os pássaros
E sua existência de apenas existir,
Sem problemas ser o que são,
Sem cobranças por falsas necessidades.

E veja agora você, viciado moderno,
Que pensa que ganha a vida
Fazendo sua existência morrer
Na mão do que chamam crescimento.

Veja você, seu vício, sua morte
Aonde estava você enquanto vivia
Que morreu como marionete cega
Da existência que perdeu por querer “uma vida”?
Uma “vida” que não é tua!

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Pensações VIII – O fora/dentro de cada

O que é a Existência
Se não efemeridade divina
De prazeres.(?) E porquê dor?(!)
De próprias indiferenças,
Que são as mesmas
De si, para si,
Mutiladamente enforcado,
Escarneado de saber
Do resto,
Do Ser...
Abundamente!

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Pensações VII - Fantasia

"MEFISTÓFELES. É natural que um pesar supremo
A vida te angustie! Quem o negara?
A todo o nobre ouvido, repugnante
É esse baladar. Tlim-tlão maldito,
Que escurece da tarde o céu sepulcro
Com todos os sucessos se mistura,
Como se entre tlim e tlão a vida
só fosse um vácuo sonho."
Fausto, Goethe


Sentir o Tempo passar é doloroso e alegre. A incerteza do amanhã é um fascínio febril, uma exaltação de querer que ele chegue logo e que ele nunca chegue, porque quanto mais avançamos, mais temos certeza de que o fim aproxima-se. Delírio louco! Se estou aqui por uma passagem, que sentido há de viver? E porque não-querer viver enquanto estou aqui? Frio encanto hedônico de viver, e ser, por um lapso, Eu.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Análogos

Impenetrável turbilhão
De vãs imagens, nítidas
Disformemente pela incerteza
De serem, talvez,
Outra coisa. E
Quem dirá que não?
Vácuo de sabermos do
Nada. Opaca ilusão
Palpavelmente formada
Por palavras, dizendo
Nada de Tudo.
Ouço, com pasmado temor,
Um grito que do silêncio
Vem e me anuncia
Um imanente mistério
Indecifravelmente perscrutável,
Verbalmente indefinível,
E paro! Estático fico
E nesse momento um quadro
De que da mesma forma
O ao-redor encontra-se me vem;
E olho pro Tudo
E Ele me olha:
Que diferença possuímos?
Talvez, apenas a desSemelhança
Dele não saber que existe,
E d´eu pensar que existo.

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Droga

Sabe aquele encucado sentimento
Que nasce no coração,
Invólucro das exaltações,
Exilo de si-mesmo;
Hediondamente tedioso,
Edaz te engole e vício
Vira, prazer promete e dá
Contudo tristeza se torna.

Sim, esse sentimento de sentir
Um novamente inexistente,
Porque sempre é um novo.
Sabemos disso, não? E escondemos
Só para parecer mais alegre, fino;
É isso que sinto:
Vício grácil de novamente
Ter um novo contigo,
Febril loucura engraçada
Da tristeza d´eu adorar
A prisão de amar-te.

E nessa dualidade hesitante
Fico: querendo sem-querer,
Sem-querer querendo.
Irritante confusão burra
Pois no fim sei que
Ela só aparece depois
De gozarmos juntos.

(Leiam com os olhos que quiserem ler)

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

De ti, vontade

E foi tu para algum lugar
Perto, talvez, por aí,
E te vi passar pomposa
Que até saudade em mim
Nasceu de alegre, enloucurada.

Agora vejo-me assim,
Com o não-saber de ti caminhando,
Um delírio aparece saudoso
D´um agora majestoso, inexistente
Sonho enlouquecidamente amoroso!

E vai tu pela vida passando
Alegre anjo, rosa-ninfa, lira
De tua beleza faz-se sublime
Em peito meu, vontade de ti
Grito, e a resposta é solidão.

Esconde, por mim, encanto(?)
Saborosa saudade etérea, insônia
De apenas uma solução,
Em cama tua, tu deitada a negar:
Dormir sobre meu peito.

Ardente vontade, inteira endoidecida,
Sublime e vaga queima em mim,
E em ti, mimo desejada,
Vaga com o toque de meu nome
A martelar tuas vontades?(!)

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Pensações VI

Suspiros de acordar
E ver todo o mundo,
Sentido de sentir
O Tudo ao redor.
Exaltados sentimentos
Irracionando os sentidos,
Maravilhando o coração
E então solto o grito:
EU EXISTO!

Sábado, Setembro 29, 2007

Amor

Olhares que andam a procurar
Um e Outro, maravilhados
De perdidos encontrar
Somente encanto saudoso.

No céu, as estrelas a brilhar;
No mar, as ondas a cantar;
Na terra, um coração a queimar.
Apenas um a delirar?

Procuramos ´té em nós
A solução dessa confusão
Existencial, com medo de saber
Que no outro a solução está.

Dúbia confusão É
O que não é no agora,
Momento atômico-borbulhante
Na espera d´um conjunto-momento

Sem concret´abilidade. Vazio
Do outro, vazio do ter
O outro. E possuí-lo de forma
Singela. Gozosa...

( Ao som de Bob Berg: It was a very good year, do cd Another Standard. Música que traduz muito este poema, talvez até uma meditação sobre a mesma, que comecei a escrever no trem e terminei agora, neste som. Penso, hoje, que assim, essa explosão de matéria-vácuo, seja o amor.)

Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Dorme sobre o meu seio

Dorme sobre o meu seio,
Sonhando de senhor...
No teu olhar eu leio
Um lúbrico vagar.
Dorme no sonho de existir
E na ilusão de amar.

Tudo é nada, e tudo
Um sonho finge ser.
O espaço negro é mudo.
Dorme, e, ao adormecer,
Saibas do coração sorrir
Sorrisos de esquecer.

Dorme sobre o meu seio,
Sem mágoa nem amor...
No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor.


(Às vezes é bom nos aquietarmos para ouvir a voz dos grandes que já foram. Postei hoje esse poema de Fernando Pessoa, um grande mestre dessa nossa lingua e, sem sombra de dúvidas, da poesia universal. Olhem a sutileza com que o Mestre trata essa dúvida do amor, que apenas quem passa momentos como esse é capaz de decifrar: Aqueles momentos em que nem um nem outro quer, querendo.)

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Moleque Maravilhoso

Eu nunca cometo pequenos erros
Enquanto eu posso causar terremoto
E das tempestades já não tenho medo
Acordo mais cedo

Eu nunca me animo de ir ao trabalho
Eu sou o coringa de todo baralho
Sou carta marcada em jogo roubado
A morte ao meu lado

Eu sou o moleque maravilhoso
Num certo sentido o mais perigoso
Moleque da rua, moleque do mundo, moleque do espaço

Quebrando vidraças do velho Ricardo
Nesta vizinhança sou filho bastardo
Com o meu bodoque sempre no pescoço
Eu exijo meu, eu exijo meu, eu exijo meu osso
eu exijomeu osso
eu sou o moleque maravilhoso

(Grande letra do Raul. Ela vai muito bem com o meu momento. Que momento é esse se somos o que agente foi, e o agora é uma eterna e longínqua lembrança do que já passou com tijolos de fogo dum eterno escuro que é o futuro?)

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Amor biológico (artigo)

O amor, licor de vários corações. Ora de choro, ora de alegria, quem é “esse” que a todos os seres humanos em algum (ou alguns) momento da vida são apresentados? O que é isso que é capaz de mover montanhas para se concretizar? Estarei mostrando, com este artigo, uma das muitas facetas disso que chamamos amor.
Por mais que queiramos aumentar o amar, ele é uma coisa não tão complicada (quem o complica somos nós) e tão pouco coisa para poucos. Schopenhauer, em seu livro Metafísica do Amor, diz que “Todo enamorar-se, por mais etéreo que possa parecer, enraíza-se unicamente no impulso sexual”(MA,7). Esse impulso sexual é o instinto. Um dos maiores problemas do humano é a dificuldade de se entender mais uma espécie na face da Terra, uma espécie como, ou quase como, todas as outras espécies. “Ele (amor), ao lado do amor à vida, mostra-se como a mais forte das molas propulsoras”(MA,7), isto é, o amor, que podemos chamar de instinto de reprodução, ao lado do instinto de sobrevivência, são da natureza humana, e são eles que movem o humano, assim como movem qualquer outro animal. Como disse Max Schiller: O que move o mundo é a fome e o amor.
O instinto é algo já dentro do humano. Quando vemos uma pessoa e sentimos aquele estardalhaço de sensações, quem agiu foi o instinto. Ele procura uma outra pessoa para completar a si mesmo. Mas o que é esse instinto? Para Schopehauer, “o fim último de toda disputa amorosa é realmente mais importante que todos os outros fins da vida humana. De fato, o que é decidido não é nada menos do que a composição da próxima geração”(MA,8). Isso quer dizer que, em detrimento dos indivíduos, o que está em jogo no amor é a geração vindoura, é a criança a ser procriada. O instinto então seria a briga da espécie por continuar a viver, pois é apenas ela que possui vida eterna. “O problema do amor trata da existência e constituição especial do gênero humano nos tempos vindouros, e na qual, por isso, a vontade do indivíduo entra em cena numa potência mais elevada, como vontade de espécie”(MA,9). Essa vontade de espécie podemos chamar de instinto.
Mas porque por uma pessoa sentimos tais coisas e por outras não? Quando “examinamos” a outra pessoa, “este investigar é a meditação do gênero da espécie sobre o possível indivíduo que ambos poderiam procriar e a combinação de suas qualidades”(MA,34), para cada indivíduo há um outro que combina com suas qualidades, sempre tendo em vista o melhor da espécie. Essa vontade por uma pessoa que vai aumentando, é já a vontade do indivíduo que está por nascer, é a vontade da espécie em continuar a existir. Assim, os amantes acham que estão sentindo aquela coisa eterna, que dizem não acabar, mas não enxergam que estão sendo “usados” por algo bem maior: A espécie. Ou podemos até dizer: Somos usados pela Natureza. “O que, portanto, guia aqui o Homem é realmente um instinto, orientado para o melhor da espécie, enquanto ele imagina procurar apenas o supremo gozo pessoal”(MA,18).

Sábado, Setembro 08, 2007

As miragens e o Eu-desconhecido

E foi! O tempo passou
E agora não volta mais.
Mais uma página virada
De um livro que tem fim.
Por que as coisas são
Do jeito que elas são?

Coloquei novamente a música,
Mais uma vez escuto-a
Em um lamurioso entardecer.
Longínquo frescor ilusório
De que é apenas mais um dia.
É O dia!

Simplesmente porque todo dia,
É o último. Todo segundo,
É o último suspiro do agora,
Que nunca aparece, mas
Que sempre percebemos;
Escondido Eu.

No fundo, quem realmente sou?
Se pr´os outros sou o que
Manifestei, sou aquele que age,
Sou a minha ação, quase
Sem ser eu mesmo,
Sou o Eu-manifestado.(?)

E eu conheço esse outro
Eu-mesmo: é meu passado,
Que sempre diz quem fui,
E pr´ele não existe mentira.
Como podem os fatos
Mentir? O que é
É o que aconteceu.

Lembro de quem sou eu,
Mais uma vez de frente a mim,
De frente ao que sou.
O sol continua a brilhar,
Dando seus últimos suspiros,
Mas ele está parado!

Porque penso então?
Tudo o que a minha cabeça vem
É eu mesmo? Eu
Falando comigo, de mim
Para mim?(!) E o que falo,
Já sei que falarei?

Se não sei, quem é
Que fala por mim?
Mas quando fala sou eu(?)
Quem, afinal, sou Eu???
O que age? A ação?
Ou aquele que não conheço
De mim?

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Velório

Esquelética enfraquecida, cheirava
A pó, num tempo pós(,) inverno
Enriquecido álibi desejoso
De diversos sentidos, disformes
Pelo Tempo, nosso Sereníssimo!

Para trás, nada se volta:
Viro pra direita, pra esquerda
Mas sempre estou indo pra frente.
O próprio fato de Ir,
Já me condena a isso.
Pena cruel pr´um pássaro
Como Nós.

E porquê, enfim
Um des-final revelado
Pela cinza de algo
Que parar não pode!(?)
E Todo o resto a Minha volta;
Numa maciça explosão
De Eu´s, todos iguais!
Mas no´que diferem?
Semelhança-Diferença
Fúnebre, que é onde
todos cairemos.

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Afastados-Juntos

Não garota, ninfa!, não tentes
Esconder-te do Sol,
Viçoso fogo irritante
Martelando no corpo teu
Arde, em formato emoção;
Encantamento astucioso
Do instinto que deseja,
Mais profundamente do que
O Nada, ver o próximo
De nós dois feito,
Feto que nos enlouquece
De muito querer, que nem queremos
De tanto que agente quer.

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Tempo

Eu olho para tudo e tudo parece-me velhíssimo.
Espanto sublime de ver a Existência quase como passado,
Opaca, sem brilho e incolor, disforme em um Tempo
Que não sei se existe. Porque todas essas coisas dispostas,
Uma em cada lugar, com sua aparência?
É tudo tão gelatinosamente palpável, endurecido!
E eu no meio a Tudo, fazendo o quê?
Pergunto!, e grito!, e choro!, e rio!
Estático em meio a estaticidade Universal,
Em meio a instantes que sempre passam e não param de passar...
Um repouso quase parmenídico, totalmente heráclitiano
Que não passa indo-embora e ficando.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

Soneto do Prazer Maior

(Conversando sobre poesia, minha amiga Carol fez-me ver um grande poeta português, Bocage, por outros olhos, e que bela paisagem vislumbrei. Vejam a maravilha feita em versos! Valeu Carol!!!)


Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.

Terça-feira, Agosto 07, 2007

Inquieto Descanso

Divinamente intrépida
E leve, como amanhecer
Depois de dormir tranqüilo,
Após uma noite
Inteira de suspiros
Nossos. Maithuna cativa
De nossos cativos
Corações amantes;
Vestígios ardentes
Do que, um pr´outro,
Queremos omitir.
...

Terça-feira, Julho 24, 2007

Nossa ingenuidade

Acordando vai este zelo dormente
Da demente ânsia corpórea
Que, um pelo outro, sentimos,
Não querendo o logro
Que nossos corações querem.
Como tolo somos, donzela,
Com todo esse tremor doente
Não acolher essa coisa nascente
Que, sabemos: Chama-se amor!

Domingo, Julho 01, 2007

E o mundo parece sempre ser a mesma coisa:
Eu e o Mundo.
E nada mais.
!

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Vagante (In)Conformado

Vagando a ermo
Pelo deserto do Existir
Vou como areia
Sem ter rumo
Angustiado com o não-saber passo,
Ah, aliás, com o saber,
Porque é dele mesmo
Provida a angústia;
Saber, e por isso angustiar!

Todos os vivos poetas,
Os que morreram e os que inda vivem,
Sinto os todos em mim
Toda a filosofia sinto em mim,
E toda a angustia deles e minha;
É também minha!
Como um rebelde necessitado,
Assim como eles,
Querendo, no fundo, dizer:
Não pode ser!
E é!...
E É!

Quarta-feira, Junho 06, 2007

Carreguei-a de beijos
Quando nos encontramos
Naquele ponto do Universo
E estávamos lá e o mundo
Pairava opaco ao redor

Agora o mundo é só Você
E Eu, dançando junto a música
De nossos corpos
Parecendo orquestra
Orquestração da alucinação
Vinda do sonho de estar
Agora com você
E o Universo não importando mais

Eu a beijava fogosamente
E nos embebedávamos um do outro
Em suspiros do auspício
Com a lascívia que
Um pelo outro carregamos

Terça-feira, Junho 05, 2007

Conversa

Fiquei com vontade de falar!!!
Porra!, eu tenho isso dentro de mim, não me queiram tirar esse Coltraine da vitrola!
Esperavam, talvez, que fosse apenas me silenciar diante de vocês?
Não, não silêncio!
Possuo o diabo dentro de mim, e todo o fogo que dele provém.
Ardilosa conclusão de que sou apenas mais um...
E não é vocês que me calarem vão.
Olha, é simples, pega mais uma taça,
Beba a sua própria tragédia de conhecer a criminosa vida,
Que cumprimos pena sem mesmo cometermos algum crime.
(Porra!, que merda!,! e vem vocês com esse papo de Pecado Original?
Eu nem pedi pra nascer e já cometi um pecado?
Sou um renegado?... haff...
Pro diabo com isso que chamam de Deus!!!)
Então, aonde estávamos?...
Vamos ao banquete da natureza,
Onde o prato principal é uma ninharia
Chamada Humano.
Chamava Humano...
Quanto valor!
O quão triste me soa esta palavra agora. O quão outrora foi...
Endeusada (!?) ... tristeza absoluta essa de saber
Saber nada poder fazer
Para mudar minha Família.

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Nirvana

Alcancei a iluminação, mais conhecida como Nirvana. Eu sei que vão me dizer que estou louco, mas é isso mesmo que quero que digam. A felicidade é para todos, mas poucos a encontrão, aliás, ela não necessita ser encontra, precisa ser desvelada. Ela não está em lugar nenhum, não ocupa um espaço físico. Mas alcancei o Nirvana, e hoje ainda fui mais alto por causa de certos trimtrimtrim`s.



Nada opaco sentimento
Obliquamente vindo do desejo
De querer juntar
Dois lábios!
Dois corpos!
Fundição carnal
Que estremece os nervos
Apaixonadíssimo pela vontade
De querer mais,
De gozar o gozo!

Hoje vou postar o texto de uma amiga, Daniela Dionísio, mulher que tive o prazer de conhecer na fila de Os Sertões, apesar de já nos conhecermos de muito antes :S:S (quem quiser entender entenda :S:S:S); Grande moça e excelentíssima amiga. É isso o que a cultura nos faz :S:S:S. Beijão para toda vida, pra vocês e pra ela!


Frio. Vento. Música.O mundo engole as palavras.O amor grita.Sua voz é rouca, sai fraca, mas grita.Sangra.Cospe o coração.Pega e examina.Não vê nada.
O que sente o coração?
Decidiu abri-lo para ver o que tinha dentro. Pegou a chave que estava no bolso esquerdo. Abre o cadeado e se depara com uma escada bem escura.
Toma coragem.
Precisa de fogo.
Acende uma vela. Fogo.Luz. Desce.Frio. Vento. Uma musica toca de longe. Um som leve de tambor misturado com o suave som de violinos. Escuridão. O vento apagou a vela. Tateia. Busca. Não pode seguir seu coração. Deita no chão. Esta perdido. Desiste e fecha os olhos na escuridão. Sente o corpo leve.
Começa a flutuar.
Seu corpo sobe. Sobe. Sobe. Encostam com a parte de cima, rosto, dedos, joelhos, pontas dos pés, em uma superfície. Gosmenta. Pegajosa. Tateia. Encontra uma corda que dá em um buraco. Consegue se desvencilhar da substancia que esta grudada em seu corpo.
Sobe. Sobe. Sobe. Som. Forte. Alto. Tambor. Tum.Tum. Ensurdecedor. A corda arrebenta. Consegue segurar. Em uma mão. A mão agarra a sua e puxa. Consegue subir.
Pergunta quem esta ali, mas sua voz não sai.Esta completamente mudo.Tateia. A mão sai da parede. Uma parede impenetrável. Descobre outras mãos. Ninguém fala. Só há mãos e o som do tambor. Entrega-se de vez ao cansaço. Encosta. Na parede. As mãos o agarra e o suga para dentro da superfície dura. Tenta escapar. È engolido. Tenta escapar.Escapar. Sua mão consegue. Ele não. Descobre. O segredo do coração.

Domingo, Maio 13, 2007

Angustia

Toda a angustia de querer
Te abraçar também,
Sem ter de preocupar-me
Com tudo...
E parece-me que você só me espera.
Porque não consigo?
Porque não consegue?
Porque crio isso(?)
E parado fico
Sem ato, e apenas com palavras
Falhas palavras que te falo
Parece que por falar...
E fico querendo que me escute
Só pra pensar que pode-ser
Mas, acho que sei,
Que não é!
Fico só achando,
Inventando algo que penso ser
O que outros querem que seja;
E os outros sou eu!
Eu quero ainda lhe experimentar,
Quero experimentar seu amor,
Seu toque e corpo,
Mas parece que as estrelas
Nos separaram.
... Não estou sendo metafísico,
E tão pouco quero ser romântico,
Só quero fazê-la entender que me perco
Com seu olhar
E só o silêncio consegue expressar
A grande-forte Coisa que sinto!

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Não, não agüento mais essa ausência!
Essa ausência quase total
Sabendo que em algum lugar você está.
O que pensa agora, princesa?
Qual o bater de seu coração?

Ando relutante em ir
Até você. Vou e volto
Ao mesmo lugar
De querer ir.
Mas fico num medo,
Quase que medo de saber
Do espaço doentio
Que dói, em meu coração.
Em meu corpo inteiro!

Não vá novamente, princesa!
Já é quase como se já houvesse ido...
Quando volta?
Quando vai ser minha novamente?
Quando vou poder gritar esse Amor?

Queria pegar-te no colo
Elevar-te até o céu
Quase que metafísico céu
Do amor, e suspirar
Esse intenso tremelique dos sentidos,
Do tudo que é corpo e alma,
Do conjunto convulsivo de delírios
Puros delírios quase vagos,
Na vaguidão da imensidade
Do que é o amar você!

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Vejo vida
Na latência universal
Do Universo feito
De átomos, coisas
Que nem matéria são
O que são?
Vida atômica que boia
No nada do que não vejo
Por ainda não poder ver.
O que tem além?
...
Desespero!

Segunda-feira, Abril 02, 2007

Mentiras

Resolvi hoje postar uma poesia de uma Mestra minha: FLORBELA ESPANCA. Serei eu esse que tanto espera e chora? Serei eu esse a quem o verso puro procura?

Eis o poema:

Ai quem me dera uma feliz mentira,
Que fosse uma verdade para mim!
J. Dantas

Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar poisa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito teu?

Ai, se o sei, meu amor! Eu bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais,
O gelo do teu peito de granito...

Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!

Domingo, Abril 01, 2007

Pensações 1

Por trás de tudo sempre existe o Nada
Não-existência verbal
O vazio da não-existência.
Pode sentir-se mergulhado nele? (!)
Boiando no Nada que é o Existir
Apalpamos a Verdade a todo momento
Mas, na tentativa da comunicação
Brincamos de criar idéias
Ai a idéia passa a ser a realidade
E o mundo invisível sobrepõe-se ao concreto
Então esquecemos de dizer que
A Realidade é agora!
A Realidade do Todo,
Do Todo que conheço e do Todo que não-conheço,
Os dois que são o Todo inteiro,
A realidade é o Nada anterior
E o silêncio perante os Porquê´s.

Segunda-feira, Março 26, 2007

Estamos sozinhos!
Sempre, sem ninguém.
Até, vezes sem nós mesmos.
Num mundo solitário
Só no mundo,
Sozinho nos outros
...
Por isso, completamente
Colados em tudo,
Grupalmente só
E assim, tão juntos!

Segunda-feira, Março 19, 2007

Dúvida primeira

Como posso estar parado
Se sinto-me dançar
Junto a todo o Universo?
Nesse movimento da Existência
Convergido agora em mim,
E por isso estou em vários lugares
E, no fundo, não em estou em lugar algum!
Afinal, aonde estou?
Nesse espaço que parece um Nada
E parece-me que tudo está em todos os lugares,
Se os lugares existirem...
E se tudo está em tudo
Somos todos iguais!
Somos todos a mesma coisa!
Mas, se não existirem tais espaços,
Então, no Nada estamos! (?!)
Hirtos no Nada para nada!
Assim sendo, o Nada é Todos-os-lugares!
Ora: O que Existe é o Nada,
Ou é Todos-os-lugares?
Não são o mesmo?(!)
Se são, porque é que eu apenas não danço?,
Junto a todo esse movimento,
Das coisas que são (das que conheço)
E das que ainda não conheço,
Porque é que quero saber o porquê danço?

Quinta-feira, Março 08, 2007

Nuvens

Postarei hoje um poema de meu mestre Álvaro de Campos. Mestres são mestres! Hoje não estou com vontade de postar textos meus, penso que este fale mais do que qualquer palavra que poderia ouvir hoje. (Pelo menos, quase todas elas!)


No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de consequências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...

Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive),
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?

Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, álacre, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho.
Vou com ele sem desconhecer...

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...
13/5/1928

Terça-feira, Março 06, 2007

O grande grito: Dane-se!
Em nome de todos vocês,
Meus companheiros de existência.
Humanos? Ainda não!
Vendemos nossos corpos
Para comprar almas supérfluas,
Louvamos juntos, agora,
Esse existir quase inexistente!
Vacuidade humana, que chamamos
Idéia. Pouco importa ela!
Ela e todos os valores!
Físicos e metafísicos;
Pouco importa a meta!
Será que não percebem,
Bestas de carga de olhos atados,
Que isso não é a vida?!
Bem vindos a Terra,
Planeta dos extraterrestres,
Que fazem daqui um verdadeiro deserto de existência!

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

As estrelas trazem o brilho
Delicioso de seu olhar
E eu, perdido nesse
Colorido quase preto-branco,
Vejo este mesmo céu
Que lhe presenteia a mesma paisagem
E no amor também lhe faz pensar...
Mas num outra-pessoa amor.

Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

SUSPIRO ÉBRIO

Os demônios
Todos eles,
Estão lançados
Ao luar sereno
Da terra mais fervente
Ferve sangue
Chove choro
E o vento
É o lamento de
Alguém que ama

Um eterno amante
Da demoníaca vontade
Infinita de
Ter você
Una comigo
...!

Sábado, Fevereiro 17, 2007

Áh, aquele beijo seu
Que ainda em mim
Ressoa como sinfonia
Tântrica e Imortal
Pousa sobre meu peito
Essa simples vontade
De dizer que te amo
Mas num suspiro
Esvai-se como a harmonia
Que numa dissonância
Carnalmente fria
Adeus dá a luz
E assim o amor
Dor se torna
Para esta trágica comédia
Fazer de mim um roto
Roto-ambulante que ama
E com a boca
Dizer não pode
Esse amor distante
Tão próximo que
Morro por querer
Tanto, e choro
De tanto querer mais

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Quando tudo volta-se contra
Você, descendo as escadas do inferno
Do demônio que está dentro
De seu dilema interno-escondido
Embaixo de seu nariz
Rindo de sua plástica
Forma de obter resultados
E julgar, achando que somos
Sábios... sábios-burros!
Por quê, na verdade, de porra nenhuma
Ninguém sabe!
É nessas horas que as asas
Dos anjos maravilhosos
Do si-mesmo, estranha-se
Com a luz negra; e assim
Achamos o elo perdido
A saber: A Moeda!

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

O dilema

Vivemos nesse continuo
Vai-vem de idéias
Natas, despojadas
Da verdadeira essência
Vital... sangue

Sangüinolência mórbida
Na eterna morte
Da eterna vida,
Novo alvorecer de momentos
Que pra frente
Histórias se tornam

E de um lado sobe
D´outro desce
E é tudo o mesmo
Tudo é quietude
Do grande grito
Do início

Um acontecido-início
Que ninguém criou
Filho da vontade sem
Rédeas que é
Meio instinto meio razão
Até um pouco emoção
Numa tríade perfeita
Que se chama
Amor


(Por favor, quem souber como se escreve a palavra "Sangüinolência" me diga, não encontrei ainda no dicionário. Se for um neologismo, legal, mas uma palavra, simples palavra. O importante é entender, o importante é o que se quer transmitir... transmição de pensares verdadeiros em imagens mentirosas!)

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

(sem título)

Simples peças de palavras que acharam ser verdadeiras. Simples mentiras verdadeiras que pensaram enganar alguém mas apenas minguaram a Lua e cresceram em estrondos sintilantes de atos.
Eis que aí está você!

(Se é dia eu sou dono do mundo e me sinto filho do Sol. Se é noite eu me rendo as estrelas em busca de um farol. Estrela, as estrelas brilham como nós [Raul]. Eta frase linda essa do Raulzito!... texto antigo... e ele... bom, é isso ai...)

Terça-feira, Novembro 07, 2006

M...

Trote a cavalo
De uma vontade integrada
Entre espírito e carne
Gritava alto
Como toda a Lua
E o Sol que dela reluzia

Gritávamos para laçar
Um ao outro
E assim percorríamos
O mundo, o universo
Porque todo esse espaço
Era menor do que
Nossos corpos fundidos

Sim, de tanto percorrer
Nos tornamos um
E agora éramos como
Lua e Sol,
Embelezávamos a vida
E levávamos alegria
Para todos os cantos
Do infinito

Mas um dia chegou a Chuva
E ela descolou-nos
Tentamos nos agarrar
Mas a atrevida era forte
Foi mais forte do que
Todo o nosso amor
E por uma infinidade
De gotas-guerreiras
Vi meu amor ser raptado

Agora eu, sem a luz
Que a Lua me presenteava
Perdi-me no vago
E ando errante
A procura da Lua princesa
Que aquela Chuva demoníaca
Tirou de meu ser

Sábado, Novembro 04, 2006

Harmonia dos Contrários ( o Yin-Yang do Existir)

Tornou-se escuro
O frio instinto
Que secou as folhas
Fatídicas do deserto nu
Pelada entre plumas
Coloridas de preto e branco
E assim chamou a morte
Achando tudo que a ela leva
Mau, cheirando podre
Esquecendo-se que para nascer
Morrer é preciso...
Então tudo é bom!
Voltando a domar os cavalos
Que são dois...
Mas são apenas um.
Uno como tudo o que Há
E tudo o que Há é dois
Síntese da tese e antítese
Da mesma coisa
Que o humano chamou
Bom e Mau...
Os dois que são um
Assim como a folha
Que morreu para vivificar
Aquilo de mais belo que há no Todo:
O Existir...
E tudo caminha como música:
Um coexistir e uma dependência
Do silêncio e do som
...

Domingo, Outubro 29, 2006

O dom que perdemos

Quando o vento corre alto
morre e uiva
Abstinência de trevas...
Injetada na veia
do corpo coletivo,
Se torna um parasita
necessário, a serviço
do mal originário
E necessário
a vida de Deus,
Porque esse morreu
junto aos cachorros
que somente acreditavam
e comiam o vento.

- Cadê o real?!
Gritava um tal Homem
vindo de outras esferas
E assinalava nos corações:
Z!
Mas poucos entendiam
aquilo que o Homem gritava
E foi do imaginário
para a facada na cabeça,
Golpe de idéia!
Se desnaturalizam
então, toda a casta
de seres que eram para mandar
e em si mesmos enterram
Sua maior virtude...
Como se a Lua perdesse
o seu maior bem:
O seu dom de luar.
... o dom de Ser Humano!

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Perguntas difíceis- 2

Penso, logo existo. Por quê?
Se pensar é existir, e existir é igual a pensar (A=A) e o algo sempre existiu, ele é, de alguma forma pensamento. Não que seja apenas pensamento, mas que ele possui pensamento. Se ele possui pensamento, ele é alguma coisa. Será ele o próprio pensamento, a própria imaginação? Ou será ele algo que habita outro mundo e esse mundo está dentro da cabeça pensante dele? Seriamos nós seus Egos?
Assim sendo, existe um mundo igual a esse, ou quase igual, na minha cabeça, que daria origem a outras existências, e assim na cabeça de cada um? Quantos Universos!
Isso até pode ser concebível: As fases de evolução do universo podem ser comparadas com a fase do humano: o início do universo seria o bib bang, ou o momento em que a criança nasce e começa a experimentar, ou se comunicar (em forma de experiência) com o mundo. A racionalidade começa e assim vai se desenvolvendo até chegar na idade madura, quando cria seres racionais. Mas um dia morremos!
Existimos enquanto esse alguma coisa existiu, mas e enquanto existimos, o universo que há em minha mente e que morrerá quando eu morrer, se esse alguma coisa morrer, o universo que está dentro de mim também deixa de existir assim como o que eu vivo, então o algo que eu habito também, assim como o seu universo até chegar no Primeiro. Aonde está o Primeiro? E, se esse Primeiro existe Ele está em algum lugar? Se estiver não é só um “universo dentro da cabeça de outro algo”?
Isso torna-se praticamente inconcebível! Se não houve começo sempre existimos, tudo o que é, e também o que não-é, sempre existiu. É eterno. Não precisamos temer a morte porque não morreremos! Não existe a morte! Ou isso é concebível?
Se tudo sempre existiu, de onde vem as coisas que ainda não existem? De onde veio o carro, na época antes de ser pensado? Veio do pensamento (?)!
Então, se veio do pensamento, o “Algo” que é eterno, o “alguma coisa que sempre existiu” é pensamento.
O pensamento é a imaginação que vem à partir de algum concreto, de algum mundo concreto. Sendo assim, realmente somos pensamento de alguém!
Ou o pensamento pode existir por si?

Domingo, Outubro 01, 2006

Perguntas difíceis- 1

Resolvi escrever tudo o que passa pela minha mente, ou quase tudo. Minha mente que pensa em várias coisas ao mesmo tempo, mas se concentra em uma nos momentos.
O que é a mente? Qual o tamanho de seu poder? Em pensar que tudo provêm dela, que tudo que existe é fruto de uma soma, real + imaginação, ou, concreto + abstrato, que é a mente.
Nos somos os únicos seres capazes de transformar a “realidade”, o mundo em que vivemos, o concreto, em uma coisa abstrata, e depois essa abstração de raiz no concreto volta a ser concreto e assim começa a existência. Antes de inventarem a caneta ela não existia. Antes de um compositor compor uma música ela não existia.
As coisas Existem! Vamos refletir: Será que antes de elas se tornarem concretas, ou seja, antes de elas possuírem existência, elas já existiam em algum outro lugar, como seria a idéia de Platão? De onde vem a existência? Como as coisas passam a existir?
O pensamento do Homem está ligado ao mundo em que ele vive, será que esse mundo vai criando problemas para que o único ser que existe e que pode resolvê-los os resolvam?
Sendo assim, somos Seres que herdamos diretamente dentro de nós a racionalidade da natureza? Se o começo do universo é algo intencional, ou seja, fruto de racionalidade, já existíamos antes do universo existir, ou, antes da criação do universo? Nós mesmos criamos o universo? Nós criamos nós mesmos?
Então existe algo antes do início do universo, o qual (o início) chamamos de Bib bang, mas cada um entende a “criação” do jeito que quer, e por que Há algo, ou seja, Existe um antes-universo. Mas o que é? Ou simplesmente não existe nada? É possível as coisas começarem e existirem a partir do Nada? As coisas vão e voltam ao nada?
Se admitirmos um Nada antes do início do universo podemos dizer que viemos dele e vamos a ele. Santo Heráclito! Mas o que é ele se não um Ser, que é Nada? Nada disso do que está aqui!
Lembremos que o Nada é algo que depende de onde você está. Ele é relativo!
Mas vamos admitir, ou tentar admitir um nada que realmente é nada, ou seja, não há a existência de nenhuma coisa a não ser ele mesmo. Seria possível Existir esse Nada?
Se for, podemos dizer que estamos indo para ele novamente, é questão de tempo para deixarmos de Existir e, além disso, somos um grande acaso, a racionalidade é um grande acaso que foi gerado de algo que é racional por si, ou seja, ele existe à cima de ser ou não racional, e por isso mesmo É. Esse processo é racional e nós que pensamos, assim como as criaturas que não pensam, seriamos apenas fruto dessa racionalidade irracional, mas nos seres humanos, e qualquer outro ser que pense, que vá do concreto ao abstrato e retorne, encarnamos a racionalidade. Encontramo-la em algo que não é racional.
Essa racionalidade não aceita essa criação, não aceita ter vindo do Nada e saber que vai a ele novamente, por isso ela tenta procurar uma forma para dar sentido a sua existência, e vem conseguindo.
A Existência, qualquer forma de existência, desse modo, não possui sentido algum. É apenas o sentido do acaso. Qual acaso? Não é algo intencional que vem do Nada passar a existir?
Se essa racionalidade que vem do Nada existe, quer dizer que o Nada, ou no Nada, há pensamento, ou racionalidade (podemos presumir isso?), então esse Nada é alguma coisa. Alguns o chamaram de Deus!
Se ele É ele Existe. Se ele existe ele existe em algum lugar, então o que é esse lugar? O que vem antes do Nada? O silêncio? A ausência? Essa ausência e esse silêncio não deixam de Ser o Nada que pensamos! Mas porque diabos essa ausência, ou melhor, dessa ausência, surgiu o É?
Se existe o Nada existe algo antes dele que dá sentido a ele. O que está antes do Nada e da Existência?
Nesse sentido, podemos dizer que houve algo, e se houve é porque ainda há, então esse algo é eterno. O que é esse algo eterno, essa existência eterna?
Mas o mais louco é que existimos juntos!

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Ter runta!

Ter runta!
Vossa mercê
Em plebes-contínuos-amenos-afagos
Cristalizando a pérola
Vermelha, de Eros
Amando com asas

Ter runta!
Tanto, que acaba
O espaço,
Mecanicamente louco
E louçainha...

Ter runta!
Vossa mercê de bruços
E de pé, e voando
Busto, loucamente
Abro, e laço
Em colares sem preço.

Ter runta!
O sabor, o calor,
A massa e espírito,
Nas mãos do coração,
Mastigá-lo...
Mastigamento cardíaco
E pulmonar...
No olhar ar se perde
Asmáticamente
Louco, quebrado...
E agora, nisso,
Estéril!

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Reflexão 4

O Nada é o não-ser do Ser, e este é o não-ser do Nada. Quem está no Nada verá no Ser um não-nada, o que para ele será um não-ser. Nós que (pelo menos pensamos que) estamos no Ser, mesmo que seja um sendo (pois este carrega algo de Ser) vemos o Nada como um não-ser. Mas o que aconteceria se soubéssemos que nos encontramos no Nada, e o Ser que procuramos não é o que pensamos que ele é, justamente por não-ser? De fato, parece ser isso que experimentamos de maneira invisível.

Sábado, Setembro 16, 2006

Te abracei e você sumiu
Acho que partiu, virou fumaça
Me desesperei e saí pela entrada
Dai peguei o caminho mais curto
Até a sala do diretor
E me despedi dele
Então tudo se tornou amarelo
As distâncias pareceram maiores
Mas era nesse ponto que devia te achar
E andei no meio de formigas
Elas dormiam...
Eu acordado encontrei um outro
Desperto, que me deu a benção
Olhei para a Lua e você me chamava
Não tinha mais como voltar
Alguns passos eram queda
Mas queda pra cima
O Desperto me deu um amuleto
Que era o fogo dos Deuses
Agora clareava a passagem
Mas as formigas queriam me engolir
Então as lancei a luz
Não aceitaram e me jogaram pra fora
Saí do lixo e sorri
Porque passei no teste,
Daí te vi lá em cima,
O caminho era fácil e árduo
Quis ir, mas meus pés ficaram
Fui sem eles.
Comecei a ir flutuando
Comi uma estrela-do-mar
Então refiz meus pés, e minhas asas
Agora era um anjo, à procura da Deusa
Decidi voar mais rápido e furar os olhos
Fingi não ver o que via,
E sorri para as formigas lá embaixo
As roguei as bênçãos,
Fui perdoado e virei Deus,
Agora podia te encontrar
Virei fumaça e parti...
Te encontrei e nos fundimos
Na perfeição divina que nos tornamos
Viramos dois em um
E agora somos o Criador...
Que também é a!

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Vamos viver a loucura, a utopia, vamos ser trágicos! Vamos fazer loucuras, utopia, fazer a vida, a existência! A perdemos porque não temos mais vida. Nós nos matamos. O mundo não é bom nem mal, ele apenas é o mundo! Nós é que o fazemos mal por tentarmos viver a vida dos outros e queremos que os outros vivam a nossa vida. Vamos cada um viver a sua loucura, a sua utopia!
Viver é Ser, e nos esquecemos disso. Quando procurarmos o Ser no Viver o encontraremos. Á séculos têm separado o Ser do Viver, mas um e outro são os mesmos! O existir é o Ser e o existir é a Vida. É tão simples! Viver é Ser! Ser o que queremos, pois assim vivemos o que somos!
E vamos sendo eternamente, não essa eternidade de vida pós morte, mas a eternidade do aqui-e-agora, dos momentos que por mais que acabem são eternos enquanto momentos!
Vamos nos permitir! Nos permitir a loucura, a utopia, aos sonhos, aos outros, a nós, a Ser, a Viver, a EXISTIR!
VAMOS NOS PERMITIR!!!

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

A nova religião

Beco sem saída
Em que nos encontramos
E tentamos voltar
Mas nem isso podemos

Vamos avante
Porque talvez seja pra lá
O encontro com o muro
Para a ruína selar

Fechemos os olhos
Pois só assim sorrimos
E vamos brincando
De estarmos bem

Sou um garotinho
Fadado ao fracasso
Assim como todos:
Quem é humano fracassa!

Como viver assim?
Uma vida fadada ao pessimismo,
Fadada à morte escondida
Porque todos já morremos!

Não existe ressurreição
Por sermos todos acaso,
Um grande sem motivo
Da grande mãe natura

Vamos parar de nos matarmos
E vamos nos rebelar contra tudo,
E contra nos mesmos também!
Querem por ordem...

Querem mas já não conseguem
Somos organismos desordenados
Quem quer ser formiga?
Eu sou um leão!

Quem disse: Ordem!?
Morte a todo tipo de ordem
Pois ela vai me colocar rédeas
Para ditar por mim uma coisa que não quero ser.

Nem mesmo rimas devem ter ordem
Nem mesmo a arte,
Nem mesmo eu,
Nem mesmo as formigas!

O que me faz diferente delas
É eu tentar organizar algo que não é organizado
Ignorando as outras possibilidades
E me entregando ao destino...

Destino fútil e embasado
Em uma moralidade que me mata
E quebra com o meu maior bem...
Que é viver!

Sim, viver é um bem!
Desde que desapegado dessa moralidade
Anti-carne... que faz com que eu despreze
Todas as paixões para acreditar

E vamos acreditando em um Deus que ordena
Um rebanho desgarrado
E poucos de nós nos rebelamos,
Porque ir contra Deus é ser marcado por brasa!?!

O inferno é Deus!
Sem ele o inferno não existe!
Porque quero ir pra ele?
E negar a minha natureza?

A minha natureza é negar Deus!
Mas não é ser ateu!
Há uma diferença...
Um ateu ainda é um crente!

Eu creio no Humano!
Eu creio na desracionalização de meus sentidos!
A minha religião é a minha excitação e minha vontade!
Sem mais para a ignorância da moralidade.

Apenas uma moral deve imperar:
A do respeito.
Porém com Deus impera a outra:
A do domínio.

Quero sair do domínio angelical
Virar um anjo humano capaz de ser...
Ser com todas as letras...
Ser de todas as formas...

A crença gera preconceito
E o preconceito gera desrespeito.
Vou parar de desrespeitar a mim
Acreditando em algo que ancestrais criaram.

Não quero mais essa balela
De desesperança e messianismo,
Vou começar a mandar em Deus,
Porque ele é meu fruto.

Amem!

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Vento do Sim

Sim!- dizia o vento-
Enquanto me perdia
Em mim, devaneava,
E ela estava lá
Aos meus ouvidos
E soprava o vento
Que dizia: Sim!
Me levantei pasmo,
Com a aceleração
Que assolava todos
Os meu fluídos corpóreos
Enquanto o vento dizia: Sim!
Eu parecia ser
Uma parede concreta
Que é difícil rebentar.
Mas me rebentei
Por mim mesmo
Quando o vento disse: Sim!
Áh, por que eu não aceitava?
Como era tolo!
Fui pequeno e desmoronei
Sobre o vento...
Que dizia: Sim!
Agora onde está ele?
Depois que ela se foi
A brisa não existe!
E eu fico nesse
Frio estático, só
Procurando o sopro quente
Do vento que me dizia: Sim!
A culpa foi minha!
Sopro divino,
Eu fiz a fonte se fechar,
E parar com o canto
Que assoviava,
Como uma lira divina,
Em meus ouvidos
E me dizia: Sim!
O que tenho agora?
- Pergunto eu a meus cacos-
Apenas febre e pena,
Já que me encontro
Agora no vazio
Que sopra a brisa
Me dizendo: Não!

Lua de dor

Áh essa lua
que me rebenta de dor...
e ela é tão amarga.
Porque faz me sentir o sabor
mas não me deixa nutrir?
Ai , essa lua de dor!
Que não me deixa alcançá-la
Essa lua que arde
como um fogo
que você ama quando vê
mas quando encontro
ele me queima
porque eu quero ele,
e ele também me quer!
Mas ele arde...
Espada argêntea-chama,
vem nu e eu te abraço
mesmo sendo para morrer!

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Reflexão III

Nave profética
viajante da luz
andantina, cóscegas
faz por irônica ser
e grita no fundo
do poço onde se encontra.
Tenta rezar mas
o faz negando
a si próprio e a Ele,
quando descobre que
Ele não existe!

Sábado, Agosto 12, 2006

Reflexão II

Sua crença determina a sua existência: se existe pelo que se crê. A existência então se dá atravez daquilo que se acredita. Como existir algo que você, nele, nem crê?
Mas há um problema: outros podem crer naquilo e, para eles, aquilo se torna a existência: a razão de eles existirem e viverem se torna aquilo.
Chegamos a um impasse: Crer naquilo que nós acreditamos ou naquilo que os outros acreditam? E, de certa forma, aquilo em que acreditamos não acreditamos porque os outros acreditam?

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Pântano dos sorrisos tristes

Jaz em epitáfio o que um dia foi amor
embaixo do lodo dessa floresta negra,
Pântano.
Entre árvores derretidas pela acidez da chuva
que cai, em forma de pregos
E faz o vendo mover-se constante em fúria,
esfolando-me, queimando-me;
Arrasame por completo olhar para cima.
Este céu negro!
Solidão;
Nu entre eu e eu mesmo,
pois até a falta me falta
e o esquecimento já me esqueceu.
Não sei se sou o morto
ou sou quem sofre a perda.
Devo ser os dois!
Ãh Deus, resgata-me!
Agora, aqui perdido...
Tristeza.
Ãh Vênus, poupa-me uma vez!
Devolva-me o brilho da lua;
Eu choro!
Nem mais o inferno é refúgio.
Dor;
Tirem-me o coração,
não pretendo mais amar.
O amor sucumbe o ai...
Queda brusca!
Não posso nem chorar seus cabelos,
não posso nem gritar.
Acordei do sonho e não posso mais sonhar,
urubus comeram minhas pálpebras
achando que eu era defunto.
Sou!?
Não devo ser mais que isso.
Aqui no pântano dos sorrisos tristes das árvores,
Aonde vou achar uma rosa para me alegrar?


(Texto antigo que já esteve aqui no blog. Quis recolocá-lo por um motivo: não há motivo para recolocá-lo... nem para não recolocá-lo. E esse é o motivo!)

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Dúvida

Acreditando sem acreditar
E encontrando no já perdido.
Aparentemente cego na luz
Do que é gelado e quente...

Não acreditar acreditando
No que se acha ser saber.
Escura é a noite clara
Do dia que se faz negro...

A certeza, onde mora?
Dentro de cada e/ou lá em cima?
Ou até ela mora na incerteza
De tudo ser mal e bom?

(Simples silogismo complexo: Deus é dúvida. A dúvida é o inferno. Portanto... (quem quiser entender, entenda!))

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Ego

Lágrimas caídas em rodopios frenéticos
Em cima de seu peito
Palpitante brusco
Na labuta da vida
Pegou a faca e sorriu
Abriu a janela,
Era noite e se perdeu
Uivos e uivos de gente
Achou ele e matou,
Cravou em seu peito
Deixando sangrar rios...
Até descobrir que matou
Mais um de si mesmo!

Segunda-feira, Julho 17, 2006

Sobre o amor e o ódio

A primeira coisa que ama-se em uma pessoa é o jeito da pessoa, o corpo da pesosa, o rosto. O tesão é o amor em seu aspecto físico, conforme entra-se na vida da pessoa o amor passa a paixão.
Na paixão os sentimentos se intensificam, move-se tudo para saciá-la. A paixão é linda, seu primeiro aspecto é passar por cima de você mesmo, depois, quanto mais tempo com a pessoa, vira uma paixão mais verdadeira, que você não muda quem você é, e ela se torna gigante.
O amor só evolui a amor depois de bastante tempo na última paixão. Ele é construção do tempo, nunca se ama uma pessoa em 3 ou 4 meses, só depois de um convívio, quase como casados. Então chega -se ao estado do odio e do amor, esses dois opostos que são a mesma coisa, praticamente, ou pelo menos são diferentes mas representam uma coisa que é quase como igual. Transcendem o que é bom e o que é mal.
Começa-se a odiar aquela pessoa, o seu jeito, o tempo que passa com ela, o doar-se a ela, mas não consegue acabar o relacionamento. Não consegue por insegurança, como se o ego precisasse daquela pessoa. Ela praticamente torna-se você.
Ai é quando o tesão e a paixão voltam, aquele vazio novamente que você só preenche com a pessoa, e por isso a odeia mais, em consequência dessa mistura toda você ama mais e mais a pessoa.
O problema é que confundimos o amor e o ódio em algo que é como posse, algo que podemos possuir, "pegar". Se entendermos que eles não são posse, se entendermos que eles estão no âmbito muito mais do sentido espiritual, que depois acaba misturando se com o corpo, pois eles são uno, agente poderia entender que o amor e o odio são quase como os mesmos, e o são.
Assim, você ama verdadeiramente quem você ama e odeia verdadeiramente quando você odeia. O odio é um sentimento oposto a amor, mas é igual a ela, e vice-versa.

Quinta-feira, Julho 13, 2006

2=1

A justeza da igualdade
Do que é todos e se torna um.
Vamos a unidade contemplar
Do que é múltiplo,
Pois só depois de passarmos por esse estreito caminho
Mergulharemos no céu
Para chegar ao infinito,
Que é apenas ele,
E é todos nós.

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Palavra

Esse texto é de autoria de um grande amigo e professor Atanásio Mykonios (Grego). Quando li meus cabelos se arrepiaram, fui praticamente levado a êxtase. Percebam a profundidade do poema e a quantas reflexões filosóficas ele nos leva. Últimamente ando meio assim, sem confiar nas palavras. Tem como o ser humano ser algo sem elas?


Ouço as palavras e seus sons
Matéria que se estende pelo ar,
Sinto as palavras que soam e vibram
Mas onde elas estão?
Um facho de luz penetra pela fresta
O nome e’ dito e bendito
Forma e ser se multiplicam
Juntos se transformam em palavra
Sutilezas da vida ou da consciência?
Saber isto ou aquilo, pela palavra,
Conhecer as coisas que vêm da palavra
Infantilidades,
Sonetos
Conceitos e preceitos
Papeis e arvores, colocados a serviço da palavra
O que somos vem da palavra,
A memória distinta de tudo permanece
Mas no tempo, a palavra a transforma,
Os gestos e os instantes vividos,
As representações e elos,
As paredes caiadas e as impressoras,
Cometem, ambas, palavras inertes.
Como posso então, revestir meu corpo de palavra?
Ate o ponto fatal do erro:
Substanciar o erro e traduzi-lo em frenéticas pulsações,
Como se a palavra tivesse mais poder que eu mesmo,
Uma profundidade e as gavetas imersas na mente...
Cada qual com sua esperteza e sutileza,
As formas e as redondilhas são cabais,
Tanto que a vida permanece inteira,
Na morte e para aquém da morte.
O varal das palavras suspenso no ar,
Uma rajada de letras e um tiro certeiro,
Invadem perfeitamente os neurotransmissores,
Estou agora contaminado pela palavra,
Que me deixa estatelado pelo mundo afora,
Prostrado diante de suas expectativas mais cruéis,
E assim, me vou passo a passo pelo mundo da palavra,
Não sou quem a possui, não sou mais eu quem a compreende,
E’ ela que me domina e me crava o pescoço com suas mandíbulas,
E’ ela quem me rasga as vísceras e me coloca seu servo e inquilino,
Palavras e não mais que isto.

Quinta-feira, Junho 15, 2006

Apenas uma reflexão

Cansado desse papo febril de que o para sempre existe para as pessoas. O que se é difícil de entender, talvez de aceitar, é que nunca possuiremos uma pessoa, a única coisa que possuimos é nós mesmos. Nada com uma pessoa é para sempre. Chega dessa separação em que você vive o contato com outra pessoa do depois, você vive com outra pessoa o amor que diz ser eterno e diz ser do espirito. Para!, chega dessa bobagem, quem ama é o corpo, ou se transa com o espírito?, a razão, essa rebelde sem causa, ou talvez com muita causa, não aceita que amanhã uma pessoa pode "não ser mais sua". Tudo muda, as pessoas mudam, o corpo e a consciência mudam. As relações humanas serão muito mais verdadeiras quando aceitarmos a condição de que não possuimos ninguém e que ninguém é nosso. Assim vamos parar com essa hipocrisia de que eu te amo com a alma. Eu amo com o corpo, com o tesão e com a paixão! Se se cansar do tesão que sente por alguém, procura outro.

Domingo, Junho 11, 2006

Portamento

Visto um personagem que sou eu mesmo
E ando no meio dos outros que não são eles
Quando encontro um alguém que é aquilo
Tiro meu chapéu e puxo um papo

Ando sem me importar nem ligar para os que ligam
Porque eles ligam tanto que esquecem deles mesmos
Virando espelhos de algo que não são
E eu visto minha roupa e vou dumir


(... é por ai que acontece, todo dia, toda hora, todos os momentos... talvez eu também seja outros, num sei... mas é assim que me sinto perante a um mundo que se diz livre. Como se pode ser livre se as pessoas esperam que você seja como elas querem?)

Terça-feira, Maio 30, 2006

No som de deixar surdo,
Neste silêncio universal do escuro,
O alto chama nosso nome
E faz-se guerra branca e quieta.
Ouvimos a voz que pergunta:
- És gota ou oceano?
E poucos se levantam e florecem.

(não postei o resto desse texto porque acho que ele só ficou um pouco legal até aqui, também não sei o título dele)

Sábado, Maio 20, 2006

Andarilho

Caminhando por essa rua
Escura que não parece ter fim
Carros passam embriagados
Com suas tintas sinuosas
E eu me perco
Em meio a luzes e escuridão
Conhaques e estrelas quentes
Saudade
De um tempo que já foi
E de um que está para chegar
E decido parar e pedir um cigarro
Para o mendigo que mendigava na praça
E a sua ociosidade me vez olhar a lua
Que, naquele momento,
Se escondia por trás de
Uma nuvem...
E o mendigo era como essa nuvem
Que vagava sem ter tempo
Para chegar,
Sem se escravizar com o relógio
Acendi o cigarro e sai fumando
Cheguei em uma esquina
Parei...
Terminei meu cigarro olhando uma
Estrela que me encarava
E ela queria dizer algo...
Não entendi, fiquei triste,
Joguei o cigarro no chão e caminhei
Escolhi o caminho para chegar a algum lugar
E esse lugar, não sei o que é...
Ainda vago para chegar nele,
Sem saber se o encontrarei
Ainda ando nessa rua escura,
E por ela ainda passam carros embriagados,
E agora o mendigo deve estar lá sentado na praça
Fumando humildemente um cigarro
Sem se preocupar se chegará
E eu fico aqui andando
Um andarilho com esperanças
Vagando a procura
De algo que não sei se vou encontrar...

Quinta-feira, Maio 11, 2006

Transmutação

Domínio da cabeça
Levado ao que pensa ser
O que comanda,
E a guerra vem vermelha
Para ser a noite,
Na madrugada ela se faz,
Com a morte dos pés
Pisando em pregos
E eles são nos mesmos:
Todos somos pregos de cabeça achatada
Em nosso próprio mundo,
E torna-se um mundo coletivo
Onde a coleita vira lixo
E o lixo vira Homem!
E aguardamos a aurora,
Onde, após a guerra,
O sol irá se irradiar
E a Verdade se levantará
Como a manhã,
Clara e ríspida...
Azul-negra!

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Num sonho

Como um pintor queria pintar seu rosto
Suave
Ventando tinta por sobre sua face
Nívea face...
Faz-me estremecer!
Tremendo do gozo do amor
Percorrendo a estrada da ilusão
Que leva o sonho ao altar!
E Dionísio se faz prazer,
No nosso lânguido prazer
Em que a carne se torna espírito.
E na comunhão do eterno
Gritamos: Amém!
E nos amamos!
Nesse calor... nada calmo...
E depois vem o frio...
O frio de querer novamente.
...
Garrafas a mercê da cabeça
No devaneio da paixão
Que é loucura enquanto paixão
Pois ela contempla a loucura por ser
Ela mesma, filha de macho e fêmea
Que se amam com fervor devotamento ao prazer
Que nada tem de errôneo
Gozo!

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Me tornar o vento

Me tornar o vento
Para poder vagar distante
E percorrer distâncias impercorríveis
Só para te alcançar
E poder te tocar, te abraçar.
Mas desejo ser um vento quente
Para te esquentar,
Para te proteger
Dos monstros e perigos
E te levar, sã e salva,
Para seu altar;
Então me curvarei a você,
Beijarei seus pés
E aguardarei seu chamado:
Pois eu sou aquele que te guarda,
Que te dá forças e que te afaga...
Mas também sou aquele que por você chora!
(Só não gostei do título, um dia faço um que seja digno)

Terça-feira, Abril 25, 2006

O caminho para chegar até a Princesa

Andando nas núvens
Eros encontrei
Ele me deu a mão e disse:
- Princesa!
Comecei a amar
Sem entender o soltei
E uma bacia ele em mim jogou
Bacia que me cobria por completo
E agora eu estava no oceano
O céu escuro sem nenhuma luz
E eu navegando em minha instabilidade constante
Sem enxegar fui me cegando
Mas o canto de ajuda da sereia ouvi
Quando olhei para trás
Lá estava o farol
Naveguei até ele
Quando eu o toquei ele virou o Sol
Com sua luz intensa comecei a encontrar a verdade
Mas a Medusa me raptou
E me deixou, propositalmente,
Perdido na terra de Nod
Caim me encontrou e me desafiou
Ganhei a briga e me libertei da escuridão
Estava perdido em uma espécie de deserto de areia cinza
Fiquei com fome e comecei a comer a areia...
Comi sem parar, fiquei pesado e furei o chão
Cai em minha cama
...
Feliz de encontrar a Princesa ao meu lado

Segunda-feira, Abril 24, 2006

Sinto, logo existo!

Não existe mais separação de corpo e razão. Os dois são diferente mas são uma coisa só. Uma caneta não serve de nada se não possuir tinta e vice-versa.
O próximo passo para a evolução da humanidade é esse: entender que nem a alma e nem o corpo é o mais importante, ambos formam o Eu, ambos formam todos os seres-humanos. Se podemos ter a certeza de que o que nos iguala como seres-humanos é o prazer e a dor, pois todos nos os sentimos, claro que cada um a sua maneira, mas somos sucessões de dor e prazer, também podemos dizer que é a relação de completariedade, importante observamos que não é a justaposição, entre alma (razão) e corpo, sendo que o prazer e a dor são fatos que podem ser sentidos e observados tanto na alma como no corpo.
Sinto, logo existo! Pois sentir também é pensar, e pensar não é nada mais do que sentir com a alma.
(Depois de uma super aula de antropologia filosóca com meu glorioso professor Atanásio (Grego), não há como não rever alguns conceitos e superá-los. É isso que Nietzsche quer, que superemos nossos conceitos, para assim superarmos a nós mesmos e evoluirmos.)

Domingo, Abril 16, 2006

?

Sem mesmo saber quem sou,
Talvez só imagine;
E eu também,
Crio uma figura que é você.
Mas às vezes nem chega perto.

A distância não é tão grande assim,
Mas meu coração já apertado anda
Pois não sei se quero aceitar,
Que a verdade seja,
A impossibilidade!

Começo a fugir, talvez de mim mesmo,
E encontro Ele,
O Destino, que de mim ri.
Ele realmente sabe a verdade?

Angustia sinto por não saber
Se o sr. Barbudo tomará minha frente
E não me deixará decidir por mim mesmo.
Mas eu não posso ficar nessa impossibilidade!

Preciso pegar uma carona na minha incerteza:
Ela, que às vezes faz com que eu me mova,
Tire Ele de minha frente,
Ele me atrapalha...
Que dúvida ele me deixa!...

Cupido, porque me atirou essa flecha?
Foi o Destino quem lhe deu a ordem?

Embriaguez de não saber o que fazer.
Embriaguez de estar estagnado e se movendo
Mas, sem saber, se
Para a direção onde ruma
É o lugar do sol,
Pensando que não vai acabar o eterno retorno
E de que é só mais uma vez que acontece
Por culpa do sr. Barbudo,
Que me faz sangrar pelo coração
E me deixa com o coração na mão,
Achando que eu procuro, em vão,
Achar um sentido para
Essa batida repentina,
Que subitamente começou...
E é assim... Vem de novo...
E eu choro, sem sentido
Tendo sentido muito.

(Nietzsche e o seu eterno retorno, que não cessa de voltar!... Ouvindo Jethro Tull - Mother Goose, depois de ter tocado na balada, que foi legal...)

Quarta-feira, Abril 12, 2006

Começo

Deixa meu coração bater
Já que assim eu crio asas
E posso voar por ai
Com uma plena ausência de dor

Deixa, pelo menos, sonhar
Porque, nem que seja só no sonho
Posso te ter... como obra de arte
E ficar só olhando...

Olhando esse seu olhar
Que fura meu coração inteiro
E eu sangro de tanta paixão
Mais que platônica paixão de quem ama

Olhando e sonhando com sua estátua humana
Que parece fugir de mim...
Isso me da angústia, e começo a chorar
Então, infelizmente, acordo


(Um dia talvez faça um que realmete seja melhor que esse e diga bem mais do que esse)

Terça-feira, Abril 11, 2006

Tsunami

Na onda do insuportável
Cabeça perdida em casa
Lá na sala
Deixou ela cair no vaso de imagens como detrito
Insuportavelmente as cabeças se esvaem
E, antes fossem com consciência
Não poluiriam as águas, que estão se acabando
E agora elas, nessa grande onda
Viram estrume do modismo
E assim fica tudo bom e tudo bem
Todos viramos mulas-sem-cabeça
Controlados por essa grande insuportável onda

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Reflexão

"Aquele que obedece o faz porque não sabe mandar em sim mesmo."
"O Deus dos homens morreu, agora o que existe é o super-homem!"
"O homem deve criar para além de si!"
Zaratustra- Nietzsche

Andei pensando, por um bom espaço de tempo, talvez, sobre essas máximas de meu mestre Zaratustra. Me retirei, fiquei no escuro. Como o escuro e o silêncio são magníficos! Eles são como uma solidão sem se estar só.
Será que sei mandar em mim mesmo? Será que sei dizer sim e dizer não? Acho que eu estou um pouco longe disso. Lembrei do copo que taquei contra a parede porque tinha inveja dele, por ele poder ser sempre transparente, aliás é isso que hoje me aflinge. Será que eu sou eu mesmo? Lembro-me de haver ouvido uma música de um compositor que não me lembro o nome que falava dos vários Eu´s, e ele dizia que nós somos vários de nós mesmos. Mas como? Isso é algo até inadmissível! Mas será que essa é a verdade? Não existe um "Eu" mas um "Vários Eu´s", e o "Eu" é apenas uma sombra de todos os outros, ou será o contrario, todos os outros são uma sombra do Eu?
Um poeta que admiro muito é Fernando Pessoa, ele e seus eterônimos. Mas seus eterônimos eram ele, de uma forma ou de outra. Lembro-me de uma questão na prova de literatura: havia um trexo de um poema de Alberto Caeiro e era pra falar de quem era o poema, e eu não sabia se colocava na resposta Caeiro ou Pessoa. Coloquei os dois, acertei, mas qual era a resposta certa? Alguém que colocasse Pessoa estaria errando apesar do poema ser de Caeiro?
Comecei a pensar em meu Deus, após uma oração. Sinto ele sempre aqui ao meu lado, na presença de meu anjo, que eu chamo de Felipe, e de espíritos bons, mas, realmente o Deus dos homens morreu. Aquele Deus severo e mal, com barba até o pé e, porque não, uma espada ou um tridente na mão? Esse Deus morreu e não foi enterrado, foi cremado! Esse Deus morreu e alguns de seus súditos fundaram igrejas falsar que deixam o povo mais ignorante do que ele já é. Esse Deus nunca existiu! Agora seus súditos fundaram igrejas que eu chamo de neo-judaísmo. Enquanto os Judeus acreditam que o velho testamento é a verdade absoluta, os crentes acreditam que o novo testamento seja a verade absoluta. Não, não sou preconceituoso, mas esse Deus morreu!
Fiquei tentando então concluir algo de meus devaneios. Acho que não conclui nada. Qual a relação que existe entre Eu e Deus? Sou um ser criado a imagem e semelhança dele. Meu Deus, é isso que confunde o mundo! O homem se acha o ser mais belo e perfeito da natueza, e se esqueça que ele pertence a ela, à natureza, que é tanto mais bela e perfeita que o mais perfeito dos homens. Isso é que é Deus: Deus é a natureza que cria sempre para além de si!
Depois de ter saído de meu momento de meditação parei um pouco de pensar, resolvi ver televisão. Há alguma coisa que mais faz os homens não pensar do que a tv?

(Post meio diferente dos de costume, mas resolvi pensar um pouco, e outros assim viram apartir de agora. Facul segunda feira!... querendo muito falar e com muita saudade de alguem que vive perdendo o celular por ai! :):):)... minha princesinha!)

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

O dom de seu luar

Vem, traz-me seu luar
Mais perto, assim quem sabe amar
Perpétuamente sangrar pelo coração,
Mas não sangrar de dor...
Sangrar, mas por amor.
Assim é fechado o elo da paixão:
Um ao outro, agora, só resta nos entregar!

(Pensando muito na lua de alguém...rsrsrsrs... num to vendo ela hoje! :( :(... ouvindo Dance of Eternety, a música que mais fala sobre mim (isso por que ela é instrumental!hahahahaha), e porque ela não falaria de mim também hoje?, ouvindo ela e dançando nessa eternidade que eu espero nunca acabar!Beijos!)

Sábado, Janeiro 21, 2006

O grito de Foda-se!

Demasiada atenção foi dada,
Como arrancada de mim,
Não me arrependo não, só choro...
Mas não por mim:
Eu, que tenho certeza do que sou;
Eu, que faço o que quero e,
Ao contrário de muitos seres-humanos,
Não sou ligado a padrões estereotipados.
Talvez algumas vezes eu estereotipe algo
Mas, dada a minha auto-confiança,
Quando percebo que estou errado me transformo...
Ou transformo a coisa?
Sim, transformo a coisa!
Para quê vou me transformar se,
Do modo como sou e com o que tenho,
Sou mais feliz do que muitos que se dizem felizes?
Não, não pense que sou prepotente ou egoísta.
Longe de mim!
Longe de mim quantas vezes forem necessárias!
Mas, na minha vida,
Meio que sem querer, eu diria,
Aprendi que as vezes um papel cheio de palavras é apenas um vazio papel cheio de palavras vazias!
Eu não preciso dar mais valor a ele do que ele é!
Quando percebi isso rasguei centenas de papeis.
Rasguei e joguei no lixo,
E com eles se foram todas minhas lágrimas;
Vãs lágrimas...
Hoje tenho pena delas!

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Vontade, apenas

Decidi mandar tudo a merda!
Peguei a garrafa e agora era outra dose no copo;
Copo-difunto como eu inteiro.
O que me torna diferente dele,
Eu que sou um ser humano como outros,
É que ele é tranparente...
E eu embora queira nunca serei...
Até mesmo para mim. Até mesmo para mim!
Fiquei com raiva dele, então
E o taquei para longe...
Ouvi e vi despedaçar-se,
Como as paredes já comingo, antes,
E a dose era o seu sangue...
Mandei de novo tudo a merda!
Lacei um cometa
E voei para longe de qualquer espelho quebrado e baú rachado.
Lacei o cometa e olhei para trás...
Me desliguei mandando novamente tudo a merda.

Domingo, Setembro 18, 2005

O que somos

Parece que não existe...
Fim, meio, começo...
Uma ordem supérflua do supérfluo
Universo, onde as coisas natas
Vêm e vão, como o dia e a noite;
Nem eles sabem porquê existem;
Nem eles sabem o efeito que causam em mim,
Um ser supérfluo como qualquer outro
Ser-humano, jogado à própria sorte
Do destino, que é tão surpérfluo quanto o vácuo
Que há dentro dos seres...
Vegetais e animais, macro e micro;
Vácuo supérfluamente ser-humano vazio!

(Vi essa frase no nick de álguem: A realidade é uma ilusão causada pela falta de álcool.- demais essa frase meu, hahaha... ainda não sei direito o título desse texto, mas acho que esse é legal, pelo menos por enquanto.)